A comunidade de Bitupitá, no município de Barroquinha (CE), mantém viva uma de suas tradições mais simbólicas: o Torneio de Futebol dos Pescadores, realizado anualmente na Sexta-feira da Paixão. Em 2026, o evento contou com o apoio do Projeto FaunaMar, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental, reforçando a integração entre esporte, cidadania e conservação ambiental.
Formada por pescadores artesanais, a comunidade preserva, ao longo das gerações, sua identidade e seus saberes culturais. A pesca segue como principal atividade econômica local, acompanhada pelo crescimento do turismo. Entre os sistemas de pesca, destacam-se a linha de mão, a tarrafa, o manzuá e o curral de pesca, uma técnica centenária e mais utilizada na região.


A Sexta-feira da Paixão é o único dia do ano em que os pescadores não vão ao mar. A data é marcada por encontros, celebrações e pelo tradicional torneio de futebol, que reúne moradores de diferentes idades e promove o fortalecimento das relações entre os participantes.
Em 2026, cinco equipes participaram da competição: Tartaruga, Peixe-boi, Guará, Cavalo-marinho e Veteranos. O time Tartaruga conquistou o título em uma disputa acirrada, acompanhada por moradores de toda a comunidade.
“Este é o quarto ano em que apoiamos o evento. Trata-se de uma iniciativa construída em parceria com a comunidade, que proporciona um momento de reflexão, integração e partilha, além de ser uma oportunidade de reencontro e de agradecimento à parceria dos pescadores nas atividades do Projeto, em Bitupita”, destaca Kesley, coordenadora do Projeto FaunaMar.
Além do apoio ao torneio, o FaunaMar desenvolve, na comunidade, pesquisas científicas sobre a captura não intencional de tartarugas marinhas em currais de pesca. O trabalho contribui para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência das espécies e subsidiar estratégias de conservação.

Durante o evento, o projeto também promoveu ações de educação ambiental, com atividades lúdicas voltadas às crianças, incluindo jogos, brincadeiras e a exposição de materiais biológicos, como crânios, carapaças e réplicas de tartarugas marinhas.
Para Francisco Araújo, conhecido como “Pingo”, pescador e monitor dos currais de pesca acompanhados pelo projeto em Bitupitá, o torneio é o momento mais esperado pela comunidade. “Vem gente de vários lugares para assistir e torcer. Os pescadores se dedicam muito pelo título, e este ano a disputa foi ainda mais acirrada”, relata.
Segundo Kesley, iniciativas como essa valorizam os patrimônios socioculturais, fortalecem o vínculo com a comunidade e reforçam a importância da participação coletiva na conservação da biodiversidade marinha.
